Bom Retiro : Limite para o crescimento vertical

Mudanças sobre altura máxima para prédios no bairro agrada moradores, mas precisa ser aprovada na Câmara
Foto: Rafaela Martins
A Secretaria de Planejamento Urbano de Blumenau vai encaminhar à Câmara de Vereadores, na primeira quinzena de novembro, a proposta de alteração do zoneamento do Bairro Bom Retiro. Com isso, ele passará de Zona Comercial 1 (ZC1), sem limite de altura das construções, para Zona de Localização Especial 3 (ZLE3), com permissão para prédios de até 18 metros, o equivalente a seis andares – podendo chegar a oito. A mudança valerá nas ruas Hermann Hering, Floriano Peixoto e Gertrud Gross Hering.
Com as alterações, moradores esperam preservar o bairro de grandes construções, já que a região é marcada por 24 imóveis tombados pelo Patrimônio Cultural Edificado. Desde 2010, quando a prefeitura alterou o Plano Diretor e permitiu construções de qualquer tamanho, quatro projetos de edifícios de 14 a 19 andares foram aprovados.
De acordo com o presidente da associação de moradores, José Nuno Amaral Wendt, a principal apreensão é em relação ao aumento do número de pessoas e, consequentemente, do trânsito pelo bairro, que tem a Rua Hermann Hering como principal entrada e saída.
– A limitação completou a ideia dos moradores. Nossa preocupação é com a mobilidade, que poderia ficar complicada com a vinda de muitas famílias – argumenta.
Além da mudança em relação à altura dos edifícios, o projeto prevê o aumento da transferência do potencial de patrimônio – índice que determina a área máxima que pode ser construída em um terreno –, o que possibilitará prédios de até oito andares. Para chegar a esse número de pavimentos, o potencial deve ser comprado de imóveis tombados. A altura dependerá ainda do recuo em relação à via pública (veja tabela).



Amauri Alberto Buzzi, presidente do Sindicato da Indústria da Construção de Blumenau (Sinduscon), comenta que a Secretaria de Planejamento tem discutido, ouvido e apresentado ideias que dão mais liberdade para o crescimento da cidade. Para ele, o Bom Retiro é um exemplo de que cada caso deve ser analisado separadamente:
– Apoiamos o exercício conjunto do poder público com a iniciativa privada para promover a cidade como um todo, sem paixões, sem extremismos, mas permitindo crescer para se manter ativa e com melhor qualidade.

Legislativo aguarda projeto
Na opinião do arquiteto e urbanista Alfredo Lindner Jr, a solução encontrada foi a “menos ruim”, mas não a ideal.
– O erro inicial aconteceu, que foi permitir a construção de prédios no local. Há três anos abriram demais as normas do Plano Diretor para aquela região. O que será feito não deixa de ser evasivo, já que a paisagem vai ficar prejudicada – avalia.
O secretário de Planejamento, Alexandre Gevaerd, acredita que o projeto será aprovado pelos vereadores, já que, numa audiência na Câmara, em agosto, foram explicados os detalhes das mudanças do zoneamento. O Legislativo, por sua vez, aguarda a proposta chegar à Casa para opinar sobre o assunto.


Moradores protestaram quanto à construção de novos empreendimentos. Foto: Jaime Batista da Silva
Potencial construtivo maior visa à preservação
Além da limitação do número de andares para a região do Bom Retiro, a mudança no zoneamento também propõe o aumento de potencial construtivo de 2,4 para 3,2. O índice determina a área máxima que pode ser construída no terreno.
Como uma edificação tombada restringe ou até inviabiliza a construção na mesma área, o município permite que esse potencial seja transferido para outro imóvel, do mesmo dono ou de terceiros, como construtoras. A cada 15 anos, é possível vender o potencial. Assim, caso o proprietário tenha se desfeito de todo o índice a que tinha direito, poderá comercializá-lo novamente após esse período. O projeto prevê que essa fonte de renda ajude os proprietários na preservação e manutenção das edificações tombadas.
No caso do Bairro Bom Retiro, o construtor só poderá elevar o prédio para sete ou oito pavimentos e ampliar o coeficiente de aproveitamento se transferir o potencial construtivo de um imóvel considerado patrimônio histórico. O objetivo é incentivar a procura por casas nessas condições e, consequentemente, a preservação delas.


Rua Hermann Hering é a principal rua do bairro, e sofre com congestionamentos tal como 90% das principais vias da cidade. Foto: Jaime Batista da Silva
Construtoras aceitaram acordo para mudança
Desde que foi considerado Zona Comercial 1 (ZC1), sem limite de altura para os prédios, o Bom Retiro teve aprovada a construção de quatro edifícios. O Ingo Hering Residenz, de 14 andares, da Incorporadora Melchior Barbieri, e o Pablo Neruda, de 17, da Raymundi Construções, estão com as obras embargadas a pedido do Ministério Público. A alegação é que elas, por estarem ao lado de casas tombadas, prejudicariam a visão dos imóveis históricos pela falta de recuo.
Além desses, há outros dois projetos aprovados, mas não iniciados. Um deles é da Torresani Empreendimentos Imobiliários, com duas torres de 18 andares, e outro da Raymundi, com uma torre de 19 pavimentos. Nesses casos, ficou acordado que os imóveis terão 10 andares cada.
– A prefeitura tem o direito de mudar o zoneamento em qualquer local da cidade. No último plano diretor, várias áreas tiveram seus zoneamentos alterados, assim como o coeficiente de aproveitamento e outras tantas mudanças – avalia o empresário Luciano Raymundi Filho, da Raymundi Construções.
Para Walter Torresani, da Torresani Empreendimentos Imobiliários, as conversas e os acordos entre todos os envolvidos foi positiva.
– Vamos manter a construção de duas torres, mas agora com 10 andares cada – resume.

Fonte: Jornal de Santa Catarina - Parte 2 - Parte 3
Reportagem: Tatiana Santos

Que bom que chegaram num acordo. Mas minha opinião ainda é de que os moradores do bairro estão pouco se lixando para o Patrimônio Histórico. Isso é mera desculpa de quem se acha diferenciado e por isso querem morar do lado do centro de Blumenau sem trânsito e sem vizinhos.
Também é ridícula a afirmação sobre o turismo. Nunca vi turista algum passeando pela rua do bairro, a não ser de passagem dentro de um ônibus de turismo para ir fazer compras na loja da Hering junto à fábrica. Nem mesmo a Secretaria de Turismo tem dados referentes ao turismo no bairro para utilizar como referência quanto a visitação ao bairro antes e depois das construções.

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