segunda-feira, 18 de abril de 2011

Coluna de Cezar Zillig

Concordo em gênero, número e grau com a coluna desta segunda-feira do médico Cezar Zillig, no Jornal de Santa Catarina. Vale a pena a leitura :



Chatice

Vai começar tudo de novo! A discussão sobre armas de fogo. Porque um lunático, atormentado por confusas crenças, se põe a matar uma dezena de inocentes, as excelsas autoridades que mandam quase ditatorialmente neste país aproveitam a oportunidade para mais uma vez tentar desarmar a população. (A vontade do povo é outra; ficou bem claro no referendo). Trata-se de reação emocional, impulsiva, impensada. Reação semelhante à do Bush ao atacar o obscuro Afeganistão depois do ataque às Torres Gêmeas.

Nos 12 dias transcorridos desde o massacre do Realengo, no dia 7, estima-se que cerca de 1.920 pessoas morreram nas ruas e estradas brasileiras. O equivalente a 160 massacres. Por não terem protagonizado espetáculo algum, por terem agonizado anonimamente sobre o asfalto, ninguém, nem povo, nem mídia, nem autoridade, se escandaliza. Ninguém sente, num rompante de indignação, a necessidade extrema de se concluir a duplicação da BR-101, duplicar a BR-470, ou debater sobre o uso da motocicleta, por exemplo. Nada disto. Volta-se contra as armas de fogo, o sofá daquela piada. O povo vive numa selva infestada de bandidos armados, cada vez mais descarados e matando por esporte. Matando inocentes indefesos graças à imposta política antiarmas. Ai do trabalhador que dê um mísero tiro! Vai parar nas barras da justiça e se incomodar um monte.

Com a criminalidade em ascensão, com a incompetência explícita de o Estado promover a segurança dos cidadãos, prender, e manter presos, punir bandidos, é um acinte pretender aumentar a vulnerabilidade da sociedade voltando a intentar retirar-lhe as – poucas – armas que lhe restam.

(Acabo de saber de uma paciente: por três vezes uma velhinha foi assaltada e amordaçada em sua casa. Isto no bucólico Alto Canoas, em Luís Alves. Os agricultores não podem seguir em paz para suas lavouras temendo que lhes roubem as residências. A violência chegou pra valer, há um estado de guerra).

Armas são perigosas? São. Fundamentalmente ,armas representam perigo. Se não oferecer perigo, não é arma. Um perigo que o bandido respeita e o faz pensar duas vezes antes de invadir uma residência, um comércio, ousar algum delito.

Combinemos o seguinte: enquanto o Estado não garantir a integridade de pessoas e de patrimônios, não falemos mais em desarmamento, esta chatice, ok?

Nenhum comentário: